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Encefalopatia de Wernicke: chega de não pensar nisso!

Artigo: Encefalopatia de Wernicke: chega de não pensar nisso!
Revista: -

A tiamina (vitamina B1) é um cofator importante no metabolismo da glicose. A deficiência de tiamina conduz a uma específica constelação de disfunções do sistema nervoso central e periférico. Historicamente, tem sido associada ao alcoolismo, mas existem várias outras populações que estão em situação de risco. A manifestação clínica é frequentemente classificada como a Encefalopatia de Wernicke (EW), uma tríade de alterações do estado mental, da motilidade ocular e instabilidade de marcha. A EW é uma doença rara, mas tratável – uma condição que muitas vezes é subdiagnosticada. Os doentes com cirurgia GI recente, desnutrição ou em necessidade de nutrição parenteral apresentam maior risco. Os sintomas podem começar dentro de 10 a 20 dias após o início da nutrição parenteral, com progressão rápida dos sintomas quando não há reposição de tiamina. Os médicos devem estar atentos às populações vulneráveis e, dado o custo relativamente baixo da tiamina parenteral, deve ser sempre considerado o tratamento empírico. Outros importantes grupos de risco para EW: anorexia nervosa, hiperêmese gravídica, pacientes com nutrição parenteral – com ou sem suplementação inadequada, síndrome da realimentação, cirurgia gastrointestinal com excessivos episódios de diarreia, vómitos ou perda de peso (por exemplo: cirurgia bariátrica, gastrectomia, etc.), pacientes oncológicos e transplantados, pacientes em diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal), pacientes com insuficiência cardíaca congestiva crônica em uso de diuréticos, outras doenças psiquiátricas que acompanham diminuição importantes de peso, doenças da tiróide.

ERROS INATOS DO METABOLISMO

Artigo: Erros inatos do Metabolismo
Revista: -

O que é um erro inato do metabolismo?

Garrot, em 1908, criou a expressão Erros Inatos do Metabolismo (EIM) para descrever doenças determinadas geneticamente, causadas por um defeito enzimáticos específico que leva a um bloqueio em vias metabólicas específicas, com conseqüente acúmulo de substrato ou deficiência de um produto.Os erros inatos do metabolismo (EIM) ou doenças metabólicas hereditárias é um grupo de cerca de 1000 doenças genéticas, individualmente muito raras, mas que em conjunto tem incidência similar a algumas doenças genéticas comuns, como a síndrome de Down e a fissura lábio-palatino (lábio leporino).
A baixa incidência individual dos erros inatos do metabolismo faz com que os médicos, de forma geral, tenham pouca experiência em diagnosticar e lidar com eles. Além de serem raros, os pacientes com EIM apresentam sintomas muito similares aos de condições clínicas muito mais comuns, como infecções, desidratação, intoxicações, encefalopatia por anóxia perinatal (paralisia cerebral) e doenças neurológicas em geral.

Portanto, diagnosticar um EIM é um grande desafio, mesmo para os especialistas!

O que causa um EIM?

Nos EIM, o corpo é incapaz de degradar, sintetizar, transportar ou armazenar determinadas moléculas. Cerca de 10% das patologias genéticas decorrem de EIM cuja base bioquímica envolve defeitos de uma ampla variedade de proteínas, receptores de membrana, proteínas do colágeno, proteínas de transporte, hormônios peptídicos, imunoglobulinas, fatores de coagulação e defeitos nos processo de glicosilação protéica. A grande maioria dos EIM envolve anormalidades nas enzimas e proteínas de transporte.

Como os EIM são herdados?

Quase todos os EIM ocorrem por mutações no genoma nuclear e, portanto, são transmitidos por padrão de herança mendeliana (autossômica recessiva, autossômica dominante e ligada ao cromossomo X), mas existem 13 genes codificados no DNA mitocondrial que quando sofrem mutação, causam EIM e são transmitidos apenas pela mãe.

Individualmente são raras, como grupo as doenças metabólicas hereditárias (EIM) afetam 1 a 2% de todos os recém-nascidos, percentual que se eleva em grupos de risco.
Um grande número de defeitos metabólicos hereditários são tratáveis e a evolução do quadro depende do rápido diagnóstico e precoce instituição do tratamento. Mesmo em casos não tratáveis o diagnóstico permitirá o aconselhamento familiar com orientação do risco de reincidência em próximas gestações.

Assim ter um centro de referência para o diagnóstico e acompanhamento dessas crianças é de suma importância !!!!!


A systematic review of the cost and cost effectiveness of using standard oral nutritional supplements in the hospital setting

Artigo: A systematic review of the cost and cost effectiveness of using standard oral nutritional supplements in the hospital setting
Revista: Clinical Nutrition xxx (2015) 1-11

Embora existam informações substanciais sobre os efeitos benéficos de terapia nutricional enteral por via oral (TNEVO) sobre os desfechos clínicos, ainda há pouca informação sobre as suas consequências econômicas. Este artigo analisou a literatura em relação custo-eficácia e custo da utilização de TNE VO padrão (não específicos da doença) administrados em ambiente hospitalar. De quatorze análises de custos comparando TNE VO e sem TNE VO, doze favoreceram o grupo de TNEVO, e entre aqueles com dados quantitativos (12 estudos), a poupança de médio custo foi 12,2%. Em uma meta-análise de cinco estudos cirúrgicos abdominais no Reino Unido, a economia média de custo líquido foi de 746 euros por paciente. As economias foram associadas com redução da mortalidade, menor tempo de internação hospitalar, diminuição do risco de desenvolvimento de úlceras de pressão, liberação de leitos hospitalares. Esta avaliação da literatura sugere que a TNEVO padrão no ambiente hospitalar produz uma economia de custo, além de possuírem bom custo-efetividade.


Paciente crítico e subalimentação.

Artigo: The prevalence of iatrogenic underfeeding in the nutritionally ‘at-risk’ critically ill patient: Results of an international, multicenter, prospective study
Autor: K. Heyland, Rupinder Dhaliwal, Miao Wang, Andrew G. Day
Revista: Clinical Nutrition (2014)

Os pacientes críticos podem responder de forma diferente a mesma terapia nutricional. Nem todos os pacientes críticos estão em risco nutricional e nem todos terão consequências devido a subalimentação. Paciente críticos que estão desnutridos durante a permanência na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estão mais sujeitos a apresentar consequências adversas. Seguindo este raciocínio, este estudo teve como objetivo determinar a prevalência de subalimentação (pacientes recebendo < 80% das necessidades energéticas prescritas) e a variação destas taxas em diferentes regiões geográficas do mundo e em diferentes pacientes 'em risco' nutricional.
Este estudo prospectivo, multi-institucional em 201 unidades de 26 países, incluiu 3390 pacientes sob ventilação mecânica que permaneceram na unidade e receberam nutrição artificial durante pelo menos 96 h. Foi utilizada uma ferramenta de avaliação de risco nutricional, chamada NUTRIC, que segundo os autores, ajuda a discriminar pacientes de UTI que se beneficiariam mais (ou menos) da oferta energético-protéica agressiva. Os pacientes com elevada pontuação NUTRIC teriam maior benefício de uma TN ideal se comparados com pacientes com baixa pontuação NUTRIC.
Os resultados encontrados demonstraram que a nutrição enteral foi iniciada 38,8 h (desvio padrão: 39,6h) após a admissão, os pacientes receberam 61,2% das calorias e 57,6% das proteína prevista, e 74% dos pacientes não conseguiu receber pelo menos 80% das metas de energia. Houve diferença significativa em diferentes regiões geográficas. Não houve diferença clinicamente importante em estado nutricional ou taxas de subalimentação em pacientes em diferentes grupos de IMC nem com pontuação NUTRIC diferentes.
O estudo concluiu que, em todo o mundo, a maioria dos pacientes críticos, incluindo pacientes de alto risco nutricional, não conseguiram receber oferta nutricional adequada e que existe uma baixa adesão às estratégias nutricionais para otimizar a terapia nutricional adequada


Terapia Nutricional no Doente Crítico

Artigo: Early versus Late Parenteral Nutrition in Critically Ill Adults
Autor: K. Heyland, Rupinder Dhaliwal, Miao Wang, Andrew G. Day
Revista: N Engl J Med 2011; 365:506-17.

Doenças graves podem induzir anorexia e dificuldade de comer normalmente, o que pode predispor a deficiências nutricionais, perda de massa magra, fraqueza, etc. Dentre os tipos de nutrição artificial, a terapia nutricional enteral (TNE) está associada a menores complicações do que a terapia nutricional parenteral (TNP), além de apresentar menor custo. No entanto, nem sempre a TNE exclusiva consegue atingir as metas calóricas. Nestes casos, a TNP pode ser uma estratégia para prevenir o déficit nutricional, porém existem controvérsias a respeito do tempo de início de TNP complementar em pacientes adultos críticos, uma vez que existem complicações associadas, como por exemplo, disglicemia, disfunção hepática e infecção. Neste estudo multicêntrico e randomizado, foi comparado o início precoce (Diretrizes europeias) com início tardio ( Diretrizes americanas e canadenses) de TNP completar à TNE em adultos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em 2312 pacientes, a TNP complementar foi iniciada dentro de 48 horas após a admissão na UTI, enquanto que em 2328 pacientes, não foi iniciada antes do oitavo dia. Um protocolo para o início precoce de TNE foi realizado em ambos os grupos. Não houve diferença significativa na mortalidade entre os grupos. No entanto, o grupo com TNP complementar tardia foi associada com menor tempo de ventilação mecânica, menor risco de infecção, menor tempo de terapia de substituição renal e estadia mais curta em UTI.


Deficiência de selênio em pacientes pediátricos com insuficiência intestinal , como consequência de desabastecimento de medicamentos.

Autor: Cheryl Davis, Patrick J. Javid e Simon Horslen
Revista: JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2014;38:115-118.

A nutrição parenteral (NP) é a terapia nutricional fundamental para crianças com insuficiência intestinal e com os avanços nas técnicas de preparo, indicação e administração esta terapia pode ser usada com baixo risco de complicação. A prescrição intravenosa completa garante uma suplementação adequada de oligoelemento .De acordo com os EUA Food and Drug Administration (FDA), o número de falta de medicamentos, incluindo os agentes injetáveis estéreis utilizados como componentes NP, aumentou desde 2010. Neste contexto o Ácido Selênico foi recentemente disponibilizado em um programa de transplante e cuidado gastrointestinal sendo o objetivo do trabalho investigar o impacto da falta de selênio no estado de selênio de pacientes com comprometimento intestinal grave. Para avaliar o impacto da falta de ácido selênico foram compilados dados dos prontuários médicos existentes para pacientes elegíveis. Incluídos no estudo crianças com insuficiência intestinal em NP completa, maiores de 1 ano e no início da falta de selênio. Cinco pacientes com insuficiência intestinal e dependência completa de NP foram identificados, e todos apresentavam concentrações normais de selênio no soro antes da falta. Todos os 5 pacientes desenvolveram deficiência bioquímica grave de selênio em correlação direta com a falta de selênio no mercado. Não foi observada a morbidade associada à deficiência de selênio. Concentrações séricas normais de selênio foram encontradas após e suplementação de selênio. Pode-se concluir que a escassez nacional de ácido selênico foi associada a deficiência bioquímica de selênio em uma coorte de crianças com insuficiência intestinal. Apesar de concentrações muito baixas de selênio, nenhuns dos pacientes do estudo apresentaram sinais clínicos de deficiência.


Use of the Pressure Ulcer Scale for Healing tool to evaluate the healing of chronic leg ulcers

Autor: Espírito Santo, PF et al.
Revista: Rev Bras Cir Plást. 2013;28(1):133-41

O objetivo deste estudo é descrever a evolução da cicatrização de úlcera crônica de perna, utilizando o instrumento Pressure Ulcer Scale for Healing (PUSH). Os dados foram coletados no período de julho de 2010 a maio de 2011. A inclusão dos pacientes no estudo obedeceu à ordem de chegada. A lesão foi avaliada semanalmente, sendo aplicada a escala PUSH. Foram incluídos no estudo 15 (30%) pacientes diabéticos com pé ulcerado e 35 (70%) pacientes com úlcera venosa. No início da coleta dos dados, a média do comprimento e da largura foi de 9,26, caracterizando que a lesão mensurava de 12,1 cm2 a 24 cm2. Com 9 meses de tratamento, a úlcera apresentou média de comprimento e de largura de 2,04, caracterizando que a lesão mensurava de 0,3 cm2 a 0,6 cm2. Com relação à quantidade do exsudato, no início da coleta de dados a média foi de 1,71, caracterizando que a lesão apresentava quantidade moderada e, 9 meses após o início do tratamento, houve redução do exsudato, com média de 0,14, significando ausência de exsudato. Aos 9 meses de tratamento, 19 (38%) pacientes apresentavam úlcera fechada; 17 (34%), úlceras com tecido de granulação; e 14 (28%), tecido epitelizado.


Modulation of the gut microbiota by nutrients with prebiotic properties: consequences for host health in the context of obesity and metabolic syndrome

Autor: Delzenne, NM, A et al.
Revista: Microbial Cell Factories 2011, 10(Suppl 1):2-11

A flora intestinal é cada vez mais considerada como um parceiro simbiótico para a manutenção da saúde. A homeostase da microbiota intestinal é dependente de características do hospedeiro (idade, sexo, herança genética dentre outros), condições ambientais (estresse, drogas, cirurgia gastrointestinal, agentes infecciosos e tóxicos etc). Além disso, é dependente das mudanças na dieta do dia-a-dia. Dados experimentais em animais, mas também estudos observacionais em pacientes obesos, sugerem que a composição da flora intestinal é um fator de caracterização entre indivíduos obesos diabéticos vs os pacientes não diabéticos, ou pacientes que apresentam doenças hepáticas, como não alcoólica: esteatose e hepatite. Curiosamente, as mudanças na flora intestinal podem ser revertidas por dieta e perda de peso relacionado. As mudanças qualitativas e quantitativas no consumo de componentes alimentares específicos (ácidos graxos, carboidratos, micronutrientes, prebióticos, probióticos), têm não só conseqüências sobre a composição da flora intestinal, mas pode modular a expressão de genes em tecidos do hospedeiro, tais como o fígado, tecido adiposo, intestino, músculo. Este, por sua vez pode conduzir ou diminuir o desenvolvimento de distúrbios metabólicos em massa e gordura associados à função da barreira intestinal e a imunidade sistêmica. A relevância das abordagens prebióticos ou probióticos na gestão da obesidade em humanos está baseada em estudos de intervenção em seres humanos, mas os dados experimentais obtidos com esses compostos ajudam a elucidar alvos moleculares potenciais novos relacionados com a dieta. As abordagens metabolômica e metagenomica integrativas podem ajudar a elucidar quais as bactérias, entre os trilhões do intestino humano, ou mais especificamente, quais atividades / genes, poderiam participar do controle do metabolismo de energia, e pode ser relevante para futuros avanços terapêuticos.


Use of the Pressure Ulcer Scale for Healing tool to evaluate the healing of chronic leg ulcers

Autor: Espírito Santo, PF et al.
Revista: Rev Bras Cir Plást. 2013;28(1):133-41

O objetivo deste estudo é descrever a evolução da cicatrização de úlcera crônica de perna, utilizando o instrumento Pressure Ulcer Scale for Healing (PUSH). Os dados foram coletados no período de julho de 2010 a maio de 2011. A inclusão dos pacientes no estudo obedeceu à ordem de chegada. A lesão foi avaliada semanalmente, sendo aplicada a escala PUSH. Foram incluídos no estudo 15 (30%) pacientes diabéticos com pé ulcerado e 35 (70%) pacientes com úlcera venosa. No início da coleta dos dados, a média do comprimento e da largura foi de 9,26, caracterizando que a lesão mensurava de 12,1 cm2 a 24 cm2. Com 9 meses de tratamento, a úlcera apresentou média de comprimento e de largura de 2,04, caracterizando que a lesão mensurava de 0,3 cm2 a 0,6 cm2. Com relação à quantidade do exsudato, no início da coleta de dados a média foi de 1,71, caracterizando que a lesão apresentava quantidade moderada e, 9 meses após o início do tratamento, houve redução do exsudato, com média de 0,14, significando ausência de exsudato. Aos 9 meses de tratamento, 19 (38%) pacientes apresentavam úlcera fechada; 17 (34%), úlceras com tecido de granulação; e 14 (28%), tecido epitelizado.


Oral nutritional support in malnourished elderly decreases functional limitations with no extra costs

Autor: Neelem, F et al.
Revista: Clinical Nutrition 31 (2012) 183 - 190

As pessoas mais velhas estão vulneráveis à desnutrição que leva ao aumento de cuidados de saúde e custos. O objetivo deste estudo foi avaliar a relação custo-eficácia da suplementação nutricional numa perspectiva social. Foi um estudo randomizado controlado que incluiu pacientes idosos desnutridos a nível hospitalar > 60 anos. Os pacientes do grupo de intervenção receberam suplementação nutricional (dieta enriquecida energia e proteína, suporte nutricional oral, suplemento de cálcio-vitamina D, aconselhamento por telefone por um nutricionista) até três meses após a alta hospitalar. Os pacientes do grupo controle receberam cuidados habituais (controle). Os desfechos primários foram Qualidade anos de vida ajustados (QALY), atividades físicas e limitações funcionais. As medições foram realizadas na admissão hospitalar e três meses após a alta. Relações de custo-efetividade foram calculadas. Custo-efetividade foi expressa por planos de custo-eficácia e curvas de aceitabilidade de relação custo-eficácia. Os resultados mostraram que 210 pacientes foram incluídos, 105 em cada grupo. Depois de três meses, não houve significância estatística. Foram observadas diferenças na qualidade de vida e atividades físicas entre os grupos. As limitações funcionais diminuíram significativamente no grupo de intervenção (diferença média de -0,72, 95% CI-1.15; -0,28). Houve diferenças nos custos entre os grupos. Custo-efetividade para QALY e atividades físicas poderia não ser demonstrado. Por limitações funcionais encontramos uma probabilidade de 0.95 que a intervenção é rentável em comparação com o tratamento usual para as razões> V6500. A intervenção nutricional multi-componente para pacientes idosos desnutridos por três meses após a alta hospitalar leva a uma melhoria significativa em limitações funcionais e é neutra em custos. Um follow-up de três meses é provavelmente demasiado curto para detectar mudanças na QALY ou atividades físicas.


Impacto do Excesso de Peso nos Padrões da Alimentação Infantil – Etapas do Estudo.

Autor: J Ma¨kela et al
Revista: European Journal of Clinical Nutrition (2014) 68, 43–49

Sobrepeso e obesidade estão aumentando em mulheres em idade reprodutiva. Ao mesmo tempo, a obesidade já é evidente em criança muito precocemente. Existe uma necessidade indiscutível para Identificar os determinantes precoces da obesidade infantil. Primeiros meses após o nascimento pode ser uma janela crítica para o desenvolvimento de obesidade. O objetivo do estudo foi avaliar o impacto do excesso de peso materno em padrões de alimentação infantil. Associar a aleitamento materno exclusivo (AME) e parcial (AMP) com o excesso de peso no crescimento da criança desde o nascimento até dois anos e o risco de excesso de peso ou obesidade aos 2 anos. De 1.797 famílias participantes do estudo, 848 crianças tinham dados sobre AME. Dados antropométricos de 13 meses e 2 anos de idade foram incluídos neste estudo. Os dados sobre AME, AMP e alimentação complementar (AC) foram coletados por meio de um acompanhamento diário auto-administrado. Informações sobre peso materno, altura, a gravidez e o parto foram recebidas de Arquivos de Censo longitudinal Nacional de maternidades. Peso e comprimento / estatura das crianças foram registradas durante as visitas do grupo de estudo aos 13 meses e dois anos. Mulheres com peso normal mantiveram aleitamento exclusivo por mais tempo que mulheres com excesso de peso (2,8 vs 2,2 meses, P< 0,0001). A duração total do AME foi quase 2 meses a mais em mães com peso normal do que em mães com excesso de peso (9,0 vs 7,4 meses, P< 0.0001). Menor duração do AME foi associado com a introdução antecipada da AC. Duração do AME correlacionou positivamente com a idade de introdução de AC (R=0.55 e R=0.41, respectivamente, P< 0.001). Quando interrompido o AME 41% passaram AC e 59% iniciaram usando fórmula infantil. Filhos de mulheres acima do peso eram mais pesados e tinham um maior IMC em dois anos do que filhos de mulheres com peso normal. Aos 2 anos de idade, 30% dos meninos e 17% das meninas estavam com sobrepeso ou obesidade. No entanto, o risco de obesidade infantil não foi aumentado em relação ao excesso de peso materno (odds ratio 1.04, P= 0,12). Maior duração da AME (odds ratio 0,86, P< 0,04) e AMP (odds ratio 0,91, P< 0,02) e a introdução tardia dos AC (odds ratio 0,69, P< 0,03) foram protetor contra a obesidade. O estudo sugere que as mulheres acima do peso ou obesas antes da gravidez que amamentam por um tempo mais curto e introduzem AC mais cedo do que as mulheres de peso normal, predispõe a um aumento do risco de sobrepeso ou obesidade do seu bebê na infância.


Aplicação de instrumentos de triagem nutricional em hospital geral: um estudo comparativo.

Autor: Bezerra, JD et al.
Revista: Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 5, n. 1, p. 9-15, jan./jun. 2012

Introdução: Com inúmeros instrumentos de triagem nutricional existentes, é difícil eleger o mais adequado para os protocolos de nutrição hospitalar. Objetivo: Comparar cinco instrumentos de triagem nutricional (MST, NRS-2002, MUST, MNA e MNA-SF) em adultos e idosos hospitalizados. Materiais e Métodos: Nesse estudo transversal, cinco instrumentos de triagem nutricional foram aplicados aos pacientes nas primeiras 48 horas de internação hospitalar. A ocorrência de risco nutricional entre adultos e idosos foi comparada. Para análise estatística, os dados foram descritos e o teste não paramétrico de Man Whitney foi aplicado. Resultados: Foram avaliados 77 pacientes, sendo 51 (66,2%) adultos e 26 (33,8%) idosos, com média de idade de 53,6 (desvio padrão de 17,9) anos e predominância do gênero feminino (53,2%). Os principais motivos de internação foram neoplasia e nefrolitotripsia. De forma geral, um quarto dos pacientes estava em risco nutricional. O risco nutricional em pacientes adultos foi mais detectado pelo MUST e MST, com resultados semelhantes. Porém, esse parâmetro foi pouco detectado pelo NRS-2002. Nos idosos, o MNA e MNA-SF foram os instrumentos que mais detectaram risco nutricional. Quanto ao tempo médio gasto para a aplicação dos instrumentos, observou-se certa concordância entre eles, todavia a MNA foi o instrumento que requereu maior tempo para aplicação. Conclusão: Considerando maior detecção de pacientes em risco nutricional, melhor praticidade e menor tempo, sugere-se o MUST e a MNA-SF para serem utilizados em pacientes adultos e idosos, respectivamente, admitidos no referido hospital.


Impacto do Excesso de Peso nos Padrões da Alimentação Infantil – Etapas do Estudo.

Autor: J Ma¨kela et al.
Revista: European Journal of Clinical Nutrition (2014) 68, 43–49

Sobrepeso e obesidade estão aumentando em mulheres em idade reprodutiva. Ao mesmo tempo, a obesidade já é evidente em criança muito precocemente. Existe uma necessidade indiscutível para Identificar os determinantes precoces da obesidade infantil. Primeiros meses após o nascimento pode ser uma janela crítica para o desenvolvimento de obesidade. O objetivo do estudo foi avaliar o impacto do excesso de peso materno em padrões de alimentação infantil. Associar a aleitamento materno exclusivo (AME) e parcial (AMP) com o excesso de peso no crescimento da criança desde o nascimento até dois anos e o risco de excesso de peso ou obesidade aos 2 anos. De 1.797 famílias participantes do estudo, 848 crianças tinham dados sobre AME. Dados antropométricos de 13 meses e 2 anos de idade foram incluídos neste estudo. Os dados sobre AME, AMP e alimentação complementar (AC) foram coletados por meio de um acompanhamento diário auto-administrado. Informações sobre peso materno, altura, a gravidez e o parto foram recebidas de Arquivos de Censo longitudinal Nacional de maternidades. Peso e comprimento / estatura das crianças foram registradas durante as visitas do grupo de estudo aos 13 meses e dois anos. Mulheres com peso normal mantiveram aleitamento exclusivo por mais tempo que mulheres com excesso de peso (2,8 vs 2,2 meses, P< 0,0001). A duração total do AME foi quase 2 meses a mais em mães com peso normal do que em mães com excesso de peso (9,0 vs 7,4 meses, P< 0.0001). Menor duração do AME foi associado com a introdução antecipada da AC. Duração do AME correlacionou positivamente com a idade de introdução de AC (R=0.55 e R=0.41, respectivamente, P< 0.001). Quando interrompido o AME 41% passaram AC e 59% iniciaram usando fórmula infantil. Filhos de mulheres acima do peso eram mais pesados e tinham um maior IMC em dois anos do que filhos de mulheres com peso normal. Aos 2 anos de idade, 30% dos meninos e 17% das meninas estavam com sobrepeso ou obesidade. No entanto, o risco de obesidade infantil não foi aumentado em relação ao excesso de peso materno (odds ratio 1.04, P= 0,12). Maior duração da AME (odds ratio 0,86, P< 0,04) e AMP (odds ratio 0,91, P< 0,02) e a introdução tardia dos AC (odds ratio 0,69, P< 0,03) foram protetor contra a obesidade. O estudo sugere que as mulheres acima do peso ou obesas antes da gravidez que amamentam por um tempo mais curto e introduzem AC mais cedo do que as mulheres de peso normal, predispõe a um aumento do risco de sobrepeso ou obesidade do seu bebê na infância.


Calcium e phosphorus product concentration is a risk factor of coronary artery disease in metabolic syndrome

Autor: Kim, WS et al.
Revista: Atherosclerosis 229 (2013) 253e257 2012

Fósforo sérico alto e a concentração de fosfato de cálcio foram associados ao aumento da mortalidade e eventos cardiovasculares em pacientes com doença renal crônica. O estudo foi desenhado para determinar a relação entre concentração do produto fosfato de cálcio e a presença de calcificação da artéria coronária em indivíduos com síndrome metabólica (SM). Foram revisados 2.056 registros médicos gerais de indivíduos com 55,1 ± 9,9 anos e a razão de filtração glomerular de 88,9 ± 16,2 mL / min / 1,73 m2. Dos pacientes do estudo 384(18,7%) eram indivíduos que tinham SM e 1672 (81,3%) não tinham SM. A gravidade da calcificação da artéria coronária foi avaliada pelo escore de calcificação da artéria coronária (CACS), utilizando multi-detector, tomografia computadorizada (TCMD). Os resultados mostraram que o CACS mostrou correlacionação com a concentração do produto fosfato de cálcio em indivíduos com síndrome metabólica (r = 0,184, P < 0,01). O odds ratio de concentração do produto CACS> 50 foi 1,053, em indivíduos com SM (P < 0,05). Após o ajuste para idade, sexo, diabetes e dislipidemia, concentrações do produto teve uma correlação positiva com CACS em indivíduos com SM. Na análise de regressão simples a concentração do produto fosfato de cálcio como variável independente foi o preditor significativo do CACS em indivíduos com SM. Usando uma análise multivariada, a concentração do produto continuou sendo um fator significativo associado CACS em indivíduos com SM. Concluindo a concentração do produto foi fracamente associado com CACS e considerado um fator independente para predizer CACS por TCMD em indivíduos com SM. Estes resultados sugerem que a concentração do fosfato de cálcio pode ser considerada como um fator de risco de doença arterial coronariana em indivíduos com SM.


Aplicação de instrumentos de triagem nutricional em hospital geral: um estudo comparativo.

Autor: Bezerra, JD et al.
Revista: Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 5, n. 1, p. 9-15, jan./jun. 2012

Introdução: Com inúmeros instrumentos de triagem nutricional existentes, é difícil eleger o mais adequado para os protocolos de nutrição hospitalar. Objetivo: Comparar cinco instrumentos de triagem nutricional (MST, NRS-2002, MUST, MNA e MNA-SF) em adultos e idosos hospitalizados. Materiais e Métodos: Nesse estudo transversal, cinco instrumentos de triagem nutricional foram aplicados aos pacientes nas primeiras 48 horas de internação hospitalar. A ocorrência de risco nutricional entre adultos e idosos foi comparada. Para análise estatística, os dados foram descritos e o teste não paramétrico de Man Whitney foi aplicado. Resultados: Foram avaliados 77 pacientes, sendo 51 (66,2%) adultos e 26 (33,8%) idosos, com média de idade de 53,6 (desvio padrão de 17,9) anos e predominância do gênero feminino (53,2%). Os principais motivos de internação foram neoplasia e nefrolitotripsia. De forma geral, um quarto dos pacientes estava em risco nutricional. O risco nutricional em pacientes adultos foi mais detectado pelo MUST e MST, com resultados semelhantes. Porém, esse parâmetro foi pouco detectado pelo NRS-2002. Nos idosos, o MNA e MNA-SF foram os instrumentos que mais detectaram risco nutricional. Quanto ao tempo médio gasto para a aplicação dos instrumentos, observou-se certa concordância entre eles, todavia a MNA foi o instrumento que requereu maior tempo para aplicação. Conclusão: Considerando maior detecção de pacientes em risco nutricional, melhor praticidade e menor tempo, sugere-se o MUST e a MNA-SF para serem utilizados em pacientes adultos e idosos, respectivamente, admitidos no referido hospital.


Suplementação de AGPI de Cadeia Longa em crianças africanas rurais: Um estudo randomizado controlado de efeitos sobre a integridade intestinal, crescimento e Desenvolvimento Cognitivo.

Autor: Merwe, LF van der. et al.
Revista: Am J Clin Nutr 2013;97:45–57.

Enteropatia ambiental crônica, que é caracterizada pela atrofia das vilosidades intestinais, hiperplasia das criptas e invasão de células inflamatórias da lâmina própria, afeta muitas crianças que vivem em países em desenvolvimento. Evidências tem sugerido que a suplementação de omega-3 pode melhorar este dano gastrointestinal, reduzindo inflamação. A suplementação também pode ser importante para o desenvolvimento cognitivo. O objetivo do estudo foi avaliar precocemente (dos 3 aos 9 meses) se a suplementação de LC-PUFA melhora a integridade da mucosa intestinal de crianças assim como o crescimento e função cognitiva. Foi um estudo duplo-cego, randomizado, controlado com suplementação de 200 mg de DHA e 300 mg EPA ou 2 ml de azeite de oliva / d por 6 meses em uma população de 172 crianças com idade entre 3-9 meses. Primeiramente os parâmetros de avaliação foram às medidas antropométricas e a integridade intestinal esta através da relação entre manitol e lactulose urinária. Num segundo momento foi avaliado o perfil de ácidos graxos no plasma, a inflamação da mucosa intestinal, morbidade diária e o desenvolvimento cognitivo. A suplementação com PUFA resultou num aumento significativo na concentração de plasma de LC-PUFAs (P < 0,001 para ambos DHA e EPA) e na circunferência muscular do braço (CB) (0,31 escores z; 95% CI: 0,06, 0,56; P = 0,017) em crianças com 9 meses. Aos 12 meses a CB continuou maior no grupo de intervenção, e ainda aumentos significativos foram observados em dobras cutâneas (P ≤ 0,022) em todo o grupo avaliado. Não ocorreram outras diferenças significativas entre o os grupos. A suplementação com óleo de peixe aumentou com sucesso o nível plasmático do Omega-3. No entanto, em jovens e crianças amamentadas a intervenção não melhorou o crescimento linear, a integridade intestinal, morbidade, ou medidas de desenvolvimento cognitivo.


Terapia nutricional em queimaduras: uma revisão

Autor: Silva, APA et al.
Revista: Rev. Bras Queimaduras. 2012;11(3):135-41

As anormalidades metabólicas encontradas em queimados são consequência da combinação da liberação de mediadores inflamatórios e da resposta ao estresse. A compreensão dos mecanismos envolvidos na produção excessiva de radicais livres em indivíduos que sofreram queimaduras é de extrema importância para a terapêutica adequada. O objetivo desta revisão foi investigar a terapia nutricional mais indicada e discutir a conduta nutricional em queimados, além de verificar quais os nutrientes estão envolvidos na viabilização do processo de cicatrização. Foram pesquisados trabalhos publicados nos últimos 20 anos que abordassem assuntos pertinentes à pesquisa, sendo selecionados artigos da literatura na língua portuguesa, inglesa e espanhola. As substâncias que mais se destacam no processo de cicatrização, atuando como parte do suporte nutricional e conferindo efeitos sobre a resposta imune, são: glutamina, arginina e o ômega 3. As vitaminas A, C, E, o zinco e o selênio auxiliam a cicatrização em queimados, por estimular as defesas antioxidantes do organismo. O uso da glutamina, independentemente da via de administração, parece auxiliar na cicatrização e na melhora da perfusão da mucosa intestinal. No entanto, são necessários mais estudos para esclarecer as quantidades adequadas dos nutrientes imunomoduladores e antioxidantes em queimaduras.


Fried food consumption, genetic risk, and body mass index: gene-diet interaction analysis in three US cohort studies

Autor: Qibin Qi; Audrey Y Chu; Jae H Kang et al
Revista: BMJ 2014;348:g1610 doi: 10.1136/bmj.g1610 (Published 19 March 2014)

A obesidade é uma condição complexa multifacetada que tem uma base genética, mas requer influência ambiental para manifestar-se. Ao longo das últimas três décadas, houve um aumento global da prevalência de obesidade, que muitos acreditam ser impulsionado, principalmente, por mudanças no estilo de vida. O objetivo do estudo foi examinar as interações entre a predisposição genética e o consumo de alimentos fritos em relação ao índice de massa corporal (IMC) e obesidade. O estudo avaliou homens e mulheres norte-americanos, totalizando quase 40 mil indivíduos. Para isto, os pesquisadores realizaram a avaliação do consumo de alimentos fritos e outros fatores dietéticos, utilizando um questionário de frequência alimentar semi-quantitativo validado e as medidas antropométricas para o cálculo do IMC. Observou-se que os indivíduos com o maior risco genético para obesidade apresentavam maior IMC e maior consumo de alimentos fritos por semana (≥4 vezes/semana). Dessa maneira, a associação genética com a obesidade foi reforçada com um maior consumo de alimentos fritos. Além disso, foi verificada que a alteração em genes que atuam no sistema nervoso central (GNPDA2, NEGR1, SEC16B, MC4R) modifica significativamente a preferência pelo consumo de alimentos fritos. O estudo concluiu que a associação entre o consumo de alimentos fritos e a obesidade pode variar de acordo com as diferenças de predisposição genética. Sendo importante reduzir o consumo de alimentos fritos na prevenção da obesidade, particularmente em indivíduos geneticamente predispostos à essa doença.


Freqüência de Realização de Triagem Nutricional em Pacientes Adultos Hospitalizados

Autor: Fonseca, MM; Mello, MC; El-Kik, RM.
Revista: Revista de Graduação do curso de Nutrição da Faculdade de Enfermagem da PUC/SP, 25(1).

A desnutrição hospitalar contribui para o aumento da morbimortalidade, do tempo de internação e do custo com a hospitalização. A prevalência de desnutrição em ambiente hospitalar no Brasil varia de 20% a 50%, onde alguns pacientes já são admitidos no hospital com desnutrição e outros acabam desenvolvendo-a após a internação. A triagem nutricional tem como finalidade identificar rapidamente indivíduos que se encontram desnutridos ou em risco nutricional, sinalizando aqueles pacientes que poderiam beneficiar-se da terapia nutricional (TN). A TN é fundamental para o tratamento do paciente hospitalizado, contribuindo para a melhora do prognóstico de várias doenças clínicas e cirúrgicas em doentes crônicos, agudos e críticos. Os indicadores de qualidade são estratégias de monitoramento aplicadas na gestão de qualidade em TN em unidades hospitalares e têm como objetivo garantir a eficiência nas rotinas diárias, a diminuição de custos, a maior capacidade de análise de processos e principalmente, melhores resultados clínicos e de qualidade de vida para o paciente. O estudo teve por objetivo analisar a freqüência de triagem nutricional realizada relativa ao número total de internações em cada mês, sendo que, a meta recomendada de eficiência em atendimento deveria ser maior ou igual a 80%. A média para o número de internações foi de 415±32 pacientes por mês, oscilando entre um mínimo de 376 pacientes no mês de janeiro e um máximo de 470 no mês de maio (p< 0,05). Em relação à média de triagens entre os meses citados, obtiveram-se o valor de 311 ±35 avaliações realizadas. Embora o número de internações tenha sofrido variação, o número de triagens realizadas não variou de forma significativa no período (p< 0,05). A freqüência de triagens nutricionais houve uma oscilação entre 69,6 a 80,0%, com média de 75±4 com os picos de maior cobertura em abril (79,5%), julho (79,3%) e agosto (80,0%) e uma queda significativa no mês de junho (69,6%). O presente estudo identificou uma elevada cobertura no indicador de frequência de triagem nutricional na unidade atendida em grande parte do período estudado.


A transição da desnutrição para a obesidade

Autor: LETÍCIA RAMOS SOARES et al.
Revista: Braz. J. Surg. Clin. Res, 2013, 5(1):64-68.

No Brasil impera uma transição nutricional fundamentada na má-alimentação. A desnutrição, um transtorno corporal baseado no desequilíbrio entre o aporte de nutrientes ingeridos e as necessidades do indivíduo, pode ser primária ou secundária, podendo também ser classificada em leve, moderada ou grave. O custo dos alimentos é um dos determinantes cardinais dos modelos de consumo, e os preços elevados dos alimentos podem levar a efeitos negativos importantes no conteúdo nutricional da população, principalmente da fração economicamente menos favorecida. Mas, a desnutrição infantil vem sendo cada vez mais erradicada e banida globalmente, sendo substituída pela má-nutrição (baseada no crescente consumo de alimentos industrializados) e pela obesidade. A conjectura global atual deriva dos padrões de vida inadequados provenientes do consumo alimentar hipercalórico e sedentarismo. O Brasil vive um período de transição epidemiológica, com mudança no perfil de saúde pública, com predomínio de doenças crônico-degenerativas, sem, no entanto resolver as doenças infectocontagiosas. A desnutrição diminui à medida que a obesidade se eleva em proporções epidêmicas. O consumo de alimentos com alta densidade energética declina a qualidade nutricional, levando ao ganho ponderal e ingestão inadequada de micronutrientes, o que pode estar ligado à baixa renda. A diminuição das atividades físicas e do lazer ativo, em detrimento da televisão e dos jogos eletrônicos, favorecem o sedentarismo e ganho de peso. A prevenção de desnutrição e da obesidade, deve se iniciar na infância, pela amamentação exclusiva e introdução de alimentos que componham uma dieta saudável, pela educação alimentar e nutricional e prática regular de atividade física. Com a transição nutricional dos últimos anos, a desnutrição como causa de morbimortalidade cede espaço para a obesidade como problema de saúde pública. Investimentos públicos em educação, saúde e saneamento, devem ser estimuladas e implantadas. A discrepância entre a desnutrição e má-nutrição e a obesidade em ascensão deve ser abordada desde a infância, passando pela adolescência, por meio de estratégias que favoreçam o consumo orientado de alimentos saudáveis, aliados à prática de exercício físico regular e estilo de vida favorável.


Leite Humano como fonte exclusiva de dieta reduz Enterocolite Necrosante

Autor: Kenneth Herrmann e Katherine Carroll
Revista: Breastfeeding Medicine, 2014, 9(4): 184-190.

Segundo a Academia Americana de Pediatria o leite humano em detrimento das fórmulas artificiais é a melhor opção para reduzir o risco de enterocolite necrosante (NEC) em crianças prematuras. Este estudo testou a hipótese de que a alimentação exclusiva com leite humano (EHM) para bebês prematuros reduz a incidência de NEC associada à alimentação enteral. Foi um estudo observacional para bebês nascidos com menos de 33 semanas de idade gestacional, recebendo EHM (coorte) ou fórmula artificial (controle), realizado em uma única unidade de terapia intensiva neonatal. A nutrição parenteral (NP) fornecendo 50-60 kcal / kg / dia com aminoácidos (2,5-3 g / kg / dia) e lipídios (2-3 g / kg / dia) foi fornecido imediatamente após o parto (1-2 horas). A NP foi descontinuada quando a alimentação entérica atingiu 140 ml / kg / dia. As mães foram estimuladas a oferecer o leite materno ou era utilizado leite humano de banco adicionado com um fortificante quando a criança apresentava 33 semanas de idade corrigida (PMA). 148 de 162 crianças (91%) receberam EHM por 33 semanas. 140 de 162 crianças (86%) receberam leite de sua própria mãe, e 98 de 162 crianças (60%) recebeu leite humano doado. A distribuição da NEC no grupo EHM (coorte) foi significativamente diferente do grupo controle (fórmula artificial) para o dia de início da doença (p = 0,042). No grupo de controle, O início da NEC ocorreu após 7 dias de vida em 15 de 443 crianças (3,4%), significativamente mais do que na coorte EHM onde a NEC ocorreu em duas das 199 crianças (1%) (p = 0,009). A dieta com leite EHM em prematuros reduziu a incidência de NEC associada a alimentação enteral entretanto, outras práticas de cuidados clínicos iniciais merecem avaliação para avaliar o risco de iniciar a NEC, por exemplo, o volume de aleitamento precoce, o pinçamento retardado do cordão para reduzir isquemia intestinal hipovolêmica.


Dieta com baixo teor de carboidratos para o tratamento de diabetes Gestacional: Um estudo controlado randomizado

Autor: Cristina Moreno-Castilla, et al.
Revista: Diabetes Care 36:2233–2238, 2013

A diabetes mellitus gestacional (DMG) é definida como a intolerância à glicose com o seu aparecimento, ou primeiro reconhecimento, durante a gravidez. A estratégia nutricional adotada para estes casos é o controle da quantidade e distribuição dos carboidratos (CHO) na dieta. O objetivo do estudo foi testar a hipótese de que uma dieta com baixo teor de CHO para o tratamento de GDM levaria a uma menor taxa de tratamento com insulina. Foi realizado um estudo randomizado controlado que acompanhou 152 mulheres com diabetes gestacional que foram divididas em dois grupos, um grupo recebeu uma dieta com baixo teor de carboidratos (LOW-CARB, carboidratos = 40% do valor calórico total) e o outro grupo recebeu uma dieta controle (carboidratos = 55% do valor calórico total). Os resultados foram semelhantes nos dois grupos, onde a taxa de tratamento com insulina foi de 54,3% (38 de 70 mulheres) no grupo LOW-CARB e 55% (33 de 60 mulheres) no grupo controle. A ingestão de carboidratos, que foi avaliada pelo registro alimentar de três dias, foi significativamente menor no grupo LOW-CARB. Não houveram diferenças nos resultados obstétricos ou perinatais entre os grupos de tratamento. O estudo concluiu que o tratamento de mulheres com diabetes gestacional utilizando dietas com baixo teor de carboidratos não reduziu a necessidade do tratamento com insulina nessa população.


High-Protein Enteral Nutrition Enriched With Immune-Modulating Nutrients vs Standard High-Protein Enteral Nutrition and Nosocomial Infections in the ICUA Randomized Clinical Trial

Autor: VAN ZANTEN, A R H, et al.
Revista: JAMA. 2014 Aug 6;312(5):514-24.

A administração enteral de nutrientes imunomoduladores (glutamina, ácidos graxos ômega-3, selênio e antioxidantes) tem sido sugerida para reduzir infecções e melhorar a recuperação da doença crítica. No entanto, existem controvérsias sobre o uso desses nutrientes na nutrição enteral, refletida pela falta de consenso nas diretrizes.
O objetivo do estudo foi determinar se a utilização de dieta enteral hiperproteica enriquecida com imunomoduladores (IMHP) reduzia a incidência de infecções em comparação com a dieta enteral hiperproteica padrão (HP). Par isso foi realizado um estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado que foi realizado de fevereiro de 2010 a abril de 2012, incluindo um período de acompanhamento de 6 meses em 14 UTIs na Holanda, Alemanha, França e Bélgica. Um total de 301 pacientes adultos com expectativa de necessidade de ventilação mecânica e nutrição enteral por mais de 72 horas foram aleatoriamente divididos entre os grupos IMHP (n = 152) e HP (n = 149) e incluídos em uma análise de intenção de tratar.
Os resultados demonstram que não houve diferenças estatisticamente significativas na incidência de novas infecções entre os grupos (53% no grupo IMHP e 52% no grupo HP - p = 0,96). Também não houve diferenças estatisticamente significativas nos outros desfechos clínicos estudados, com exceção da taxa de mortalidade em 6 meses, que foi mais elevada no grupo IMHP (54% no grupo IMHP e 35% no grupo HP - p = 0,04).
Com isso, o estudo concluiu que em comparação com a dieta HP, a utilização de dieta enteral IMHP em pacientes adultos respirando com a ajuda de ventilação mecânica em unidades de terapia intensiva (UTI) não evitou ou melhorou complicações infecciosas ou outros desfechos clínicos, podendo ainda ser prejudicial para essa população, como demonstrado pelo aumento na mortalidade em 6 meses.


PKU patients on a relaxed diet may be at risk for micronutrient efficiencies

Autor: C Rohde et al
Revista: European Journal of Clinical Nutrition (2014) 68, 119–124

A fenilcetonúria (PKU) é um dos mais comuns distúrbios metabólicos inatos, com uma incidência variando entre 1: 3000 e 1:30 000. É causada por uma atividade deficiente da fenilalanina hidroxilase na maioria dos tecidos, predominantemente no fígado. Dieta restrita e suplementação de uma mistura de aminoácidos livres de fenilalanina resultam em um desenvolvimento cognitivo normal entretanto pode ocorrer risco de fornecimento insuficiente de micronutrientes. O objetivo do estudo foi Investigar a oferta de micronutrientes em doentes com fenilcetonúria (PKU) com uma dieta restritiva. Sessenta e sete pacientes (6-45 anos), com uma tolerância à fenilalanina X600 mg / dia foram incluídos no estudo. Realizado registro de 3 dias de dieta e o fornecimento de proteína, bem como o consumo de aminoácidos essenciais e de vários micronutrientes foram avaliados comparando as recomendações atuais e os dados para a população saudável. Oferta e consumo de proteína e aminoácidos essenciais foram suficientes em todos os pacientes. Fornecimento de micronutrientes dependia de regime dietético. Os pacientes com uma fonte de proteína total de 120% ou mais da quantidade recomendada e, pelo menos, 0,5 g de proteína/Kg/dia a partir de uma mistura de aminoácidos sem fenilalanina foram suficientemente alimentado com todos os micronutrientes investigados. Todos os pacientes sem suplemento de aminoácidos sem fenilalanina demonstrou graves deficiências de micronutrientes em seus registros de dieta. Os pacientes com PKU sob uma dieta restrita estão em risco de um suprimento insuficiente de nutrientes. Portanto, o monitoramento próximo, orientação dietética específica e suplementação potencial são obrigatórios para evitar deficiências de micronutrientes em pacientes com PKU